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Uma vida de dedicação - Defensora Pública de 71 anos diz que amar o ofīcio é essencial

 A Defensora Pública Valmira Letícia Paes Barreto Melo, 71 anos, está em plena atividade. Nos 50 anos de serviço público, 32 deles dedicados à Defensoria Pública de Pernambuco, é exemplo a ser seguido por profissionais que têm como missão o atendimento aos vulneráveis econômico e socialmente que buscam justiça.

 Quando indagada o porquê de tanta energia e tempo atuando em prol dos carentes de recursos, a reposta é imediata: “Amo o meu ofício. Saber que estou beneficiando àqueles que mais precisam de justiça, motiva a querer continuar na lida. Cada dia que saio de casa, renovo minhas energias. Pelo tempo que desempenho a função, poderia até estar aposentada, mas ainda não me vejo sem atuar.

 Ao falar de sua trajetória profissional, Valmira Leticia, relata  as dificuldades da época na Assistência Judiciária, em 1985. “Éramos Assessores Jurídicos do Estado e vinculados à Secretaria de Justiçado Estado. Lembro-me de como trabalhávamos sem infraestrutura. Faltava até papel. Muitas vezes trazíamos de casa material para trabalhar. Mesmo diante desses percalços,  não desistia, porque via nossa Instituição como a principal promotora de cidadania”, enfatizou.

 À época da Assistência Judiciaria, a Defensora foi nomeada para ser Diretora de Justiça, na Secretaria de Justiça do Estado. Na função de  Procuradora de Causas Coletivas da Assistência Judiciária, Valmira  relembrou o grande  apoio dos colegas  Aymone Pio dos Santos Júnior,  Nice Menezes (falecida), Alcides Valença, Maria Luiza Ramos, Lenira Souza e Naura Reis. “Jamais esquecerei a participação desses Defensores Públicos”, frisou.

 Após a transformação da Assistência Judiciária para Defensoria Pública de Pernambuco, em 1998, a Defensora atuou na Subdefensoria Cível da Capital como chefe do Núcleo dos Juizados. E na Subdefensoria de Recursos, como  chefe do Núcleo Criminal,  e em várias Comarcas no Estado

 A Defensora Pública destaca que, “Sem sombra de dúvida, que faz parte do alicerce e construção do que é hoje a Defensoria Pública do Estado. Fomos a pedra fundamental dessa Instituição. Lutamos bravamente pela transformação e independência da DPPE”, conta, emocionada.

 Ainda fazendo um paralelo entre o ontem e hoje da Instituição, Valmira Letícia, reconhece e enumera o avanço da Defensoria Pública. “Principalmente nos últimos 10 anos. É notória e visível a mudança na infraestrutura e na valorização profissional. Não podemos deixar de nominar alguns gestores, como por exemplo, Tereza Joacy, Marta Freire e atualmente o Defensor Público-Geral, Manoel Jerônimo de Melo Neto. Este tem feito um trabalho magnífico, inclusive, tendo como bandeira a união de todos e investimento em infraestrutura”, ressaltou, acrescentando que vislumbra mais conquistas para a DPPE.

 MARCANTE - Valmira Letícia revelou a reportagem sobre um atendimento inesquecível a uma assistida ainda na época da Assistência Judiciária . “O caso era de uma avó que trazia a neta toda semana para vê se conseguia uma pensão alimentícia. O pai da criança era falecido e ela sempre me dizia: “Não tenho como sustentá-la”. O mais difícil era que não tínhamos como localizar os parentes. Fiquei muito sensibilizada com a situação daquela mulher.  Então disse a ela que daria dinheiro para ela comprar um fogão de barro e massa de goma para que ela vendesse tapioca no seu bairro. Depois de anos,  um certo dia, entra uma menina com 15 anos e me diz: “Doutora, lembra de mim? Sou a neta de dona Josefa". Imediatamente veio-me a lembrança. Perguntei: “Por que ela nunca mais veio aqui?". A moça respondeu que com aquela ajuda a avó tinha conseguido vencer na vida e que hoje ela já tinha um mercadinho. "Não me contive e comecei a chora e agradecer a Deus por pelo menos ter ajudado aquela mulher. Então é isso. Não somos assistencialistas, mas somos transformadores”.

 

 Redação: Fátima Freire/Ascom-DPPE  

Foto: @jhpaparazzo/Ascom-DPPE

 

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